Esta é uma das razões para os numismatas deixarem sempre o buraquinho para aquela moeda rarissima!!! Sabemos que é quase impossivel chegar às nossas mãos tal moeda, mas mesmo assim deixamos lá o espaço disponivel para ela...
A moeda de 50 reis de 1888 sempre foi referenciada como única, ou seja, havia apenas um exemplar. Até que um dia...
"Leiloada como única, a moeda de 50 réis de 1888 atingiu 26 mil euros. Porém, existe mais uma...
Mais uma vez a moeda de 50 réis em prata, D. Luís I (1861-1889), volta a dar que falar, após ter atingido 26 mil euros (foi à praça com uma base de licitação de 25 mil euros) num leilão da Numisma, realizado no passado dia 20 de Junho.
Tida como exemplar único, chegou a ser o rosto do catálogo da hasta. Porém, dias depois, um emigrante em Toronto, no Canadá, dava-nos conta que esta moeda integrava a sua colecção.
«Estava convencido de que não existia mais nenhuma». revela Joaquim Pereira, que chegou a escrever um artigo para o jornal local «Voice», intitulado «A minha moeda única», onde conta como a adquiriu.
Já lá vão 22 anos desde que, chegado da China a Portugal, teve de aguardar dezoito meses pela concessão de um visto de emigrante para o Canadá, altura em que começou a sentir «o bichinho pela numismática». À época deslocou-se a Estremoz, onde num típico ferro-velho encontrou uma colecção de moedas, antes propriedade do falecido médico da terra. Comprou todas e só quando chegou a Lisboa e fez o inventário é que se apercebeu que tinha pago quinze contos (75 euros) por uma simples moedinha, «pouco maior que um botão de camisa».
Já pronto para ir desfazer o engano, resolveu antes investigar, recorrendo aos conhecimentos de um comerciante da especialidade. Dirigiram-se ao curador do Museu Numismático Português, instalado na Casa da Moeda, cujo veredicto foi «Não há razão para duvidar da sua autenticidade».
A notícia correu depressa e, semanas depois, no aeroporto, quando Joaquim Pereira se preparava para embarcar, apareceu uma pessoa que lhe chegou a oferecer 6500 dólares (6700 euros) pela moeda de prata. «O que mais me surpreende é que o especialista a quem recorri é o sr. Jaime Salgado», irmão de Javier Salgado, da Numisma.«E uma moeda destas não se esquece», defende. «O meu irmão não se recorda de alguma vez ter visto outra moeda destas, além da leiloada», afirma Javier Salgado, acrescentando estar muito curioso acerca da nova moeda. «Aliás, nos catálogos da especialidade, a moeda que aparece reproduzida é esta que leiloei e que fazia parte da colecção Cruzado Lusitano», diz.
Para o responsável da Numisma «é vulgar aparecerem novos exemplares após os leilões». E, «ao contrário do que se poderia esperar, a existência de outra moeda de 50 réis de 1888 vai valorizar este cunho», avança. A explicação é breve: «É sempre difícil atribuir um valor a uma moeda única - quando aparecem outras iguais é que se inicia a escalada do preço».
Sofia Santos Expresso 06/07/2002"
Mais histórias curiosas virão em breve...